Durante muitos anos, a presença de leucócitos no Plasma Rico em Plaquetas foi associada quase exclusivamente ao aumento da resposta inflamatória. Entretanto, a evolução da literatura científica mostra que essa interpretação é incompleta.

A inflamação inicial faz parte da resposta fisiológica ao dano tecidual. Quando ocorre de maneira controlada e progride adequadamente para as fases de resolução e remodelação, ela contribui para o recrutamento celular, a remoção de tecidos danificados e a organização do processo de reparo. Esse mecanismo é frequentemente discutido dentro do conceito de inflamação regenerativa.

Um dos elementos centrais desse processo é a plasticidade dos macrófagos. Essas células podem assumir inicialmente um perfil predominantemente pró-inflamatório, associado ao fenótipo M1, e posteriormente migrar para um perfil reparador, associado ao fenótipo M2. Estudos experimentais indicam que diferentes formulações de PRP podem interferir nessa polarização e favorecer um microambiente mais compatível com a resolução da inflamação e o reparo tecidual.

Os leucócitos também participam da comunicação entre plaquetas, neutrófilos, monócitos e células residentes do tecido. Essa interação influencia a liberação de citocinas, fatores quimiotáticos e mediadores envolvidos tanto no início quanto na resolução da resposta inflamatória.

Outro componente relevante são as vesículas extracelulares derivadas de plaquetas, incluindo os exossomos. Essas estruturas transportam proteínas, lipídios e material genético capazes de modificar a sinalização celular, a atividade dos macrófagos e os processos de proliferação e migração relacionados ao reparo. Entretanto, seus efeitos podem variar conforme a composição do concentrado e o contexto biológico avaliado.

Preparações obtidas a partir da camada leucoplaquetária, conhecida como buffy coat, podem preservar monócitos e outras populações celulares envolvidas na cascata de cicatrização. Isso significa que a presença de leucócitos não deve ser classificada automaticamente como prejudicial. Ao mesmo tempo, o PRP rico em leucócitos também não deve ser considerado universalmente superior.

O perfil ideal depende do tecido tratado, da fase da lesão, do objetivo terapêutico e da composição celular desejada. A literatura ainda demonstra resultados distintos entre formulações ricas e pobres em leucócitos, reforçando a necessidade de caracterização e individualização do produto biológico.

Na Biodevice, acompanhamos a evolução científica dos ortobiológicos e disponibilizamos soluções que permitem ao médico selecionar diferentes perfis de PRP conforme a indicação e a estratégia biológica definida para cada paciente.

Mais do que concentrar plaquetas, a medicina regenerativa exige compreender quais células estão presentes, como elas interagem e qual resposta biológica se pretende promover.

Fontes científicas:
Lana JF et al. Leukocyte-rich PRP versus leukocyte-poor PRP: The role of monocyte/macrophage function in the healing cascade. Journal of Clinical Orthopaedics and Trauma. 2019;10(Suppl 1):S7-S12. DOI: 10.1016/j.jcot.2019.05.008.

Uchiyama R et al. Effect of Platelet-Rich Plasma on M1/M2 Macrophage Polarization. International Journal of Molecular Sciences. 2021;22(5):2336. DOI: 10.3390/ijms22052336.

Li X et al. Leukocyte Platelet-Rich Plasma-Derived Exosomes Restrained Macrophages Viability and Induced Apoptosis, NO Generation, and M1 Polarization. Immunity, Inflammation and Disease. 2024;12:e70064. DOI: 10.1002/iid3.70064.

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