A origem pode ser a mesma. A composição final, não.

Na ortopedia regenerativa, diferentes derivados plaquetários vêm sendo estudados por sua capacidade de modular o microambiente tecidual.

Entre eles estão o lisado plaquetário e as preparações enriquecidas em vesículas extracelulares derivadas de plaquetas, frequentemente chamadas de exossomos.

O lisado plaquetário é obtido a partir da ruptura controlada das plaquetas, promovendo a liberação de um conjunto amplo de moléculas bioativas, incluindo fatores de crescimento, citocinas, quimiocinas e proteínas envolvidas nos processos de reparo e sinalização celular. Na literatura ortopédica, seu potencial vem sendo investigado em condições musculoesqueléticas, incluindo cartilagem, osteoartrite e lesões tendíneas.

Já as vesículas extracelulares derivadas de plaquetas funcionam como estruturas de comunicação intercelular.

Elas possuem membrana lipídica e podem transportar proteínas, lipídios e material genético para outras células, participando de mecanismos relacionados à inflamação, proliferação celular, angiogênese e reparo tecidual. Estudos pré-clínicos vêm investigando essas vesículas em áreas como osteoartrite, regeneração óssea e outros tecidos musculoesqueléticos.
Portanto, não são biologicamente equivalentes. O lisado representa uma liberação mais ampla do conteúdo plaquetário, enquanto as vesículas extracelulares constituem uma fração específica desse sistema de comunicação biológica.

Existe ainda um ponto técnico importante: segundo as recomendações MISEV2023, da International Society for Extracellular Vesicles, o termo “exossomo” deve ser utilizado com cautela quando a origem endossomal da vesícula não foi especificamente demonstrada. Em muitos contextos, a expressão mais adequada é vesículas extracelulares derivadas de plaquetas.

Na prática, isso reforça um conceito essencial para a medicina regenerativa: não basta saber de onde o produto vem. É preciso compreender como ele foi obtido, processado, caracterizado, concentrado e administrado.

Concentração plaquetária, método de ativação ou lise, processamento, caracterização das vesículas, dose, armazenamento e indicação clínica podem modificar significativamente o produto biológico final. A própria literatura destaca que a falta de padronização ainda é um dos principais desafios para comparar estudos e estabelecer protocolos clínicos mais previsíveis.

Na Biodevice, acompanhamos a evolução científica dos derivados plaquetários e disponibilizamos soluções biológicas ao mercado médico com foco em ortopedia, medicina regenerativa e construção de protocolos cada vez mais padronizados e tecnicamente fundamentados.

Mais do que diferentes nomenclaturas, estamos falando de diferentes estratégias biológicas.

E, em medicina regenerativa, protocolo, caracterização e evidência importam.

Fontes científicas:
Fonseca L et al. Human platelet lysate: A potent (and overlooked) orthobiologic. Journal of Clinical Orthopaedics and Trauma. 2021;21:101534. DOI: 10.1016/j.jcot.2021.101534.
Anitua E et al. Advances in Platelet Rich Plasma-Derived Extracellular Vesicles for Regenerative Medicine: A Systematic-Narrative Review. International Journal of Molecular Sciences. 2023;24(17):13043. DOI: 10.3390/ijms241713043.
Welsh JA et al. Minimal information for studies of extracellular vesicles (MISEV2023). Journal of Extracellular Vesicles. 2024;13:e12404.

Biodevice | Tecnologia a favor da vida.